terça-feira, 10 de novembro de 2009

passas ao rum

e deixo aqui as lembranças das vidas [das semanas] passadas, as memórias infinitas que só o cheiro do vento me permitirá lembrar. deixo as músicas, deixo as fotografias, deixo as poesias. deixo o leite chorado, derramado, pingante sob a mesa rachada. deixo as tortas comidas pensativamente. deixo o sapato sujo de lama, deixo a meia molhada, deixo a toalha encimada na cama. deixo as alegrias, deixo as tristezas, deixo as saúdes, deixo as doenças. deixo os momentos de agonias, deixo os momentos de satisfações. deixo o plural no singular, deixo os singulares no plural. deixo a chave da porta da frente esquecida na fechadura, na parte de dentro. deixo a janela aberta, pronta para receber a tempestade. deixo o sol nascer, deixo o sol se por. deixo o um, o dois, o três. eu deixo a loucura pendurada no varal, deixo a pedra do caminho. eu deixo o sorriso, e deixo a lágrima. deixo a máscara. deixo o vontade de ser, deixo de ser. e deixo tudo aquilo que foi, e não é. mas foi, e não será. porém, tudo foi. e não querer não mais querer, mas querer querer outroras. futuras outroras.
e que fique aqui minhas ultimas sentimentalidades, ressequidas em banhos lépidos. já não são mais um e meio, mas dois dias completos. vividos insaresponsavelmente. tudo são passas, melhores se forem ao rum.